Tudo que corre, corre…

Uma única lágrima que corre.Corre.Morreu na boca.Alimentou um suspiro seco de ar.Horizontal.Vertical.Esse todo vago que corre quando alguém grita que “tudo corre”.E tudo corre numa tal e precisa perfeição não sinfônica. Desafinada. Alinhada nas cordas de um violino cansado no ombro.Pedras, bolinhas de gude sozinhas que correm, equilibradas umas nas outras. Pedras e bolinhas de…

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Quando as luzes se apagaram

Quando as últimas luzes foram apagadas o que sobrou no prato foi um resto de domingo, uma bola de arroz duro no estômago, livros não lidos… Um silêncio quase vazio, embrionário e forte que respirava lento, lento… Ao fim, quando o quarto foi deixado no escuro, um rosto borrado se escondeu no travesseiro, no calor…

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Quarto vazio

Apaguei as últimas palavras desconhecidas no livro. Assoprei as migalhas de borracha. Escrevi poucas linhas e fechei o caderno vermelho. Deixei o copo na porta. Havia menos, ainda era menos de um gole o que esperava no fundo. Minha cabeça acostumada a girar não girava.  Entrei e fechei a porta. Apaguei a luz. Tirei a…

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Eu que não cresci

Quem brincou comigo de boneca, agora tem nas mãos bonecas que movem os pés quando querem ao mesmo tempo em que jogam os bracinhos no ar. Mas eu… Eu que não cresci, fiquei de lado na brincadeira. Mudei de lado na terça-feira e, sei lá, deixei ir por outro trilho, outra margem na folha. Fui…

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Uma livraria de mulheres no Porto

De tarde tentei lembrar como fiquei sabendo sobre a Confraria Vermelha, talvez tenha sido numa dessas andanças digitais que começam não sei onde e vão pra não sei que lugar. Acontece que as vezes acabo achando um bom lugar. Achei a Confraria Vermelha – Livraria de mulheres. Na primeiro sábado de sol apanhei o comboio…

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O peso do pássaro morto

Depois de lido o livro agora arquiva uma passagem de avião, um marcador de página e um pedaço de papel com uma data de prazo. Li as primeiras páginas de O peso do pássaro morto no aeroporto e as páginas seguintes numa viagem de trem do norte ao centro de Portugal. A cada punhado de…

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10 anos e uma morte

Já não tenho sono, na madruga desperto. Uma frase solta se agarra a mim num pedido de que dela eu diga. Egoísta que só sabe ser. Eu me preparo como rei em frente ao espelho de ouro para frases em pedaços de anos. O dia exato em que lhe escrevo. Precisei de 10 anos para…

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Quem conhece a Revista Odara?

A Odara é uma revista de arte e literatura, eletrônica, com publicação semestral, que está na responsabilidade dos alunos da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. A voz dela é da força de um punho é a mais recente edição – vol.5, n°6, 2018. Que chega para chamar atenção…

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Enquanto lê o conto da semana

Lê um conto. Daqueles que chegam uma vez por semana. No meio da leitura, enquanto os olhos correm da esquerda para a direita, escreve um conto que não escreve. Espera pelo fim (do conto). Aí vai crescendo em letras erradas aquela ânsia — meio vômito meio choro — não anunciada num “quero minha mãe” criança da pré-escola, adulto que…

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