Em (fim)…

Espalhei frases no caderno. Foram três páginas até alcançar a neblina que correu no meu corpo, nas minhas veias, na minha pele, através dos meus olhos, na secura do cabelo. Era a mesma velocidade em que o carro foi correndo para além do limite. Há viagens que se fazem para comemorar, para conhecer, para registrar,…

Continue lendo

Carol

Não me digamNão me falemNão falem sobre mimNão lembreNem recordem de mimDeixem tudo issoDe tudo issoAo fim.HojeHojeHojeNão quero nadaVoglio nienteNem escrever não queroNão quero nadaNão quero ouvir sobre a vida e o fim…Hoje não quero acreditar em nada que dizem.Escrevi para você enquanto tomava banho.Foi desligar o chuveiro, abrir a porta e a nossa carta…

Continue lendo

Tudo que corre, corre…

Uma única lágrima que corre.Corre.Morreu na boca.Alimentou um suspiro seco de ar.Horizontal.Vertical.Esse todo vago que corre quando alguém grita que “tudo corre”.E tudo corre numa tal e precisa perfeição não sinfônica. Desafinada. Alinhada nas cordas de um violino cansado no ombro.Pedras, bolinhas de gude sozinhas que correm, equilibradas umas nas outras. Pedras e bolinhas de…

Continue lendo

Quando as luzes se apagaram

Quando as últimas luzes foram apagadas o que sobrou no prato foi um resto de domingo, uma bola de arroz duro no estômago, livros não lidos… Um silêncio quase vazio, embrionário e forte que respirava lento, lento… Ao fim, quando o quarto foi deixado no escuro, um rosto borrado se escondeu no travesseiro, no calor…

Continue lendo

Quarto vazio

Apaguei as últimas palavras desconhecidas no livro. Assoprei as migalhas de borracha. Escrevi poucas linhas e fechei o caderno vermelho. Deixei o copo na porta. Havia menos, ainda era menos de um gole o que esperava no fundo. Minha cabeça acostumada a girar não girava.  Entrei e fechei a porta. Apaguei a luz. Tirei a…

Continue lendo

Julgamento (parte)

Vou morrer de fome, dormir na sarjeta quando ochá terminar na ponta dos dedos.Vou beijar uma garotae esperar que o cão me lamba.Vou escrever nos murose aos murros,Cantar no banhoDançar no escuroNa calçada com fones de ouvido.Vou ser julgada,Abandonada.Vou ser abandonada e rir nas águas do lago…Lados de idiomas que me interessam,Lugares onde me insinuo desajeitada.Vou…

Continue lendo

O que a Amazônia tem a ver com o nosso prato?

Hoje de manhã acordei com a mesma imagem com que fui dormir. As chamas nos olhos e um choro engasgado, uma amarga sensação de impotência, de fraqueza, de inutilidade. No outro lado do mundo deu pra ver a fuligem fugindo, deu pra ouvir as árvores lamentando o fim da vida, os animais sufocando como o…

Continue lendo

Van Gogh em quadrinhos

Semana passada revirando pastas de computador encontrei a foto da capa de um livro já lido, um daqueles que uma vez por outra pego só para folhear, virar a página, revirar os desenhos. É um livro que conta um pouco da vida de quem viveu o próprio mundo, mesmo que o mundo não o entendesse:…

Continue lendo

Trecho: Tristeza

(…) (me) acalma. Escreve (escrevo) como única certeza. Única verdade. Não é a única possibilidade. É a única possibilidade. Porque mesmo que o mundo acabe, mesmo que tudo se desfaça, mesmo que os livros e o dinheiro nunca cheguem. Mesmo se nada, nada, nada, nada nunca acontecer. Mesmo que nada nunca aconteça. Escreve. E a…

Continue lendo

Um canto no impossível…

Daqui a uma hora a noite vai clarear, transmutar-se em dia iniciado, feita de vida nova, renascida…. Em uma hora a noite é clara feito dia. Eu ainda não dormi. Eu não dormi. Na noite parada em horas girando… Aos giros, aos giros. Aos giros Van Gogh eu não sei como foi que aconteceu. Fui…

Continue lendo