Seria feliz…

Fechei a janela quando resolvi contar sobre aquilo que me deixa feliz quando estou aqui ou lá, das escolhas mais fáceis, das manhãs, daquelas tardes… Num fim de manhã de julho em chuvisco eu cheguei em casa deixando os papéis sobre a mesa  – o lugar onde tudo fica largado como seguro  -,  tirando casaco,…

Continue lendo

Variações e (um eu) ‘Sempre ausente’

Escrevo maços de papel nos últimos tempos. Papéis que permanecem adormecidos, repousados, distantes, imaturos como eu, pois é tempo… Esperam a incubação da primavera. E para agora, meus passos saem mais lentos do que antes, eu respiro a lentidão que o tempo pede e se dá. Sirvo cada tempo e destoo rotina, me desafino, me…

Continue lendo

Aos 17 anos

“Tudo é possível diante dos ventos contrários…” (Edgar Morin citando Vassili Grossman)Eu tinha 17 anos quando me deparei com a morte, a morte que você sente em você, a morte impossível, do cinema em cena dramática. Foi uma manhã linda de sol, sábado. Eu estava pronta para seguir para onde fosse, para cuidar, proteger, ficar…

Continue lendo

Bandeira preta na cidade do interior

Estou aqui (e não). Endereço fixo. Portão e porta, chave no carro, quarto da infância. Mas fora de casa, longe de casa. Percebi com nitidez agora o lugar onde nunca fui, onde não sou, mas estou… Estou há quase seis meses fora de casa. E, atualmente, impedida de voltar… Demorei para escrever esse texto -…

Continue lendo

Segunda carta para Pedro…

A primeira vez que escrevi para você foi há cinco anos atrás. Eram palavras que se arriscavam em apresentar um mundo para um mundo que estava prestes a chegar. As minhas frases eram uma cápsula que guardava o ar respingado de um mundo in-dimensionável que se preparava enquanto aquele ser chamado Pedro também se preparava….

Continue lendo

A missa…

Andei às ruas querendo o cheiro das páginas de uma livraria. Tinha um destino escrito ao sair de casa, um receio deixado, um anseio por tocar páginas e lombas. Uma noite anterior projetada na ponta da lanterna à dimensão do dia seguinte.Trabalho naquela manhã era apoiar a máscara nas orelhas, levar as luvas no bolso,…

Continue lendo

Normalidade…

Provei as palavras e o vazio dos tijolos, o deserto das ruas e a terra banhada. Provei a chuva feita das árvores que derramavam pela grama os pingos de pólen, um jeito de folha. E provei das asas dos pássaros, os passos bicados de um corvo no telhado. Gostei do peso das asas da borboleta…

Continue lendo

Esquecimento – trecho

(…)Eu interroguei o mundo para saber se aquela volta até o depois do último grau de consequência, se aquela volta era para mim… Na interrogação balançava: que mundo? onde está ou onde é? qual mundo? que mundo é? Na minha interrogação pendurava-se o oco embrulho de um resquício brilhoso de lágrima parada em olhos movediços…

Continue lendo