Estranheza…

  A estranheza de conhecidos lugaresUma vida inteiraA estranhezaE a perda E a pena que desfolha e voa A estranhezaDesconhecida Os lugares mesmosA esmosEstranhosUma vida inteiraMetades inteirasPedaços fatiadosRetalhosPassados (des)pedaçosDescansoDescalçoSem casosRasos desencontrosDesencontradosAo acasoNada casaO acasoRuas pequenasDesencontrosSalvosVazios Nada de estranhoO acasoO silêncio do acasoSem o acaso Presença nadaPassos molhadosA conversa da chuva nos braçosA pele Caminhando ao acasoO acasoEstranhaEstranho o acaso impronunciávelO sujeito…

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Feitura

Tudo em mim é distância.E pássaro e vento.Tudo em mim é pássaro e vento.E distância.Quase tudo em mim é…Quase tudo…DistânciaPássaroVento…Quase tudoPássaroVentoDistância.DistânciaPássaroVento…Quase tudo…07.09.2020

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Eu pássaro

Era sono, os olhos pesavam.Era luz caindo a tardeDerrubando um domingoO dia entristecido.A tristeza fora feita com gosto.Hoje tenho saudade.E o que consola é pássaro aparecidoDesaparecidoQuando apareço na janelaEscondidaEm frente a xícara.Tudo se esvaziaarmários,árvores, raízes.Todos se esvaziam…Vozes, cascas, pedrase nomes.Tudo se esvazia,Encho-me do vazio vazioEsvazioSilêncioTotalIndício nenhum de algum qualquer alguém.SópalavraQue quero sem matériasem palavra.Esvazia-se sóa…

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Nada

nome cego.estraçalhado limite.se entender perco…a compreensão.acho.me perco.Eu que não sinto saudadeSintoRecentetarde que termina cedoesfumatura de lua que lá longe…Lá longe,Esboçada em pedaços de nuvens,Guarda o mundo…Que lá longe esquece a continuidade…Eu não entendoSe entendoNão escrevo.Nunca entendonadapor isso [talvez] não fui boa aluna… do primário à faculdade (só) acumulei chaveiros…Não dizem nadaVidros vazios rotulados.No espaçoSala de aula viajavanos calçados…

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Terceira pessoa – eu

Não via sentido. Disfarçava, como se fosse personagem riscando dores de mundo… Como se através do beijo não dado colocasse em outra boca um dia próprio. Não havia sentido…Palavras faltavam, fugindo.Sentimentos ficavam parados pela metade, inibidos, inseguros. Não confiavam na imposição de outra pessoa.Era eu quem os amparava.Eu que os embalava chorando, chorando, chorando no colo…

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Excessos (parte)

Sylvia nunca me esperou. Vitor não soube meu nome. As esquinas não sabem onde estou. Meu estômago roncava querendo botar pra fora a tempestade tropical, os calos na garganta eram silêncios apertados. Eu queria desaguar nos olhos Eu estava seca queimada como floresta esquecida… Esquecida e abandonada nos corpos vivos queimados até a raiz. Queria…

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Era quase…

Em qual hoje fechar os olhos?Quando desmorona o mundo sentido no buraco da alma.Tudo tudo desmoronando agora.Passou.Vira pó e nada, nada sai do lugar…E onde meter a frase seguinte? Nova linha, ponto, seguir em frente, parágrafo…Onde descansa a linha do infinito? Beijo na nuca, meu corpo ausente, a boca do lobo. Ausente.Isolada ilha, confins da história…O…

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Carol

Não me digamNão me falemNão falem sobre mimNão lembreNem recordem de mimDeixem tudo issoDe tudo issoAo fim.HojeHojeHojeNão quero nadaVoglio nienteNem escrever não queroNão quero nadaNão quero ouvir sobre a vida e o fim…Hoje não quero acreditar em nada que dizem.Escrevi para você enquanto tomava banho.Foi desligar o chuveiro, abrir a porta e a nossa carta…

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