Para ela… – trecho

  (“(…) Àquela altura eu já tinha percebido que procurar era a minha sina, emblema dos que saem à noite sem propósito fixo, razão dos assassinos de bússolas.” – (pos.259)) Nunca mais vou voltar…E nunca é um talvez ecoado, um alguém inexistente. Foi ou é ou será, a in-conjugação sem o tempo ou para além de…

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Tempo verbal(e)

Uma semana deitada ao sol, pensando no que não pode ser pensando. Escrevendo palavras que não são escritas e, por hora, são o nunca serão. Não lembro se amanheceu o céu em nuvens ou se já era dia de sol claro, derretendo o vidro da janela, dobrando as curvas das telhas. Os meus olhos sem…

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Seria feliz…

Fechei a janela quando resolvi contar sobre aquilo que me deixa feliz quando estou aqui ou lá, das escolhas mais fáceis, das manhãs, daquelas tardes… Num fim de manhã de julho em chuvisco eu cheguei em casa deixando os papéis sobre a mesa  – o lugar onde tudo fica largado como seguro  -,  tirando casaco,…

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Da janela vê-se a lua – trecho

  (…)Quero desconhecer o âmago de cada risco derramado sobre a folha. Não, eu quero conhecer. Quero ser o inteiro âmago desconhecido de si além de âmago de ser. Bem, talvez…Em cada instante, no risco, no contraste da forma errônea e despretensiosa da não técnica, há de existir a emoção que chora, a única única….

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Me quebrar. Valendo. – trecho

(…)Os ares são mais de cores suaves. A leveza funda-me, afunda – sou eu mergulho na rocha, na areia, na pedra, na nuvem, no algodão no pescoço, no gosto de boca, na doce ânsia de ter a vida nas mãos e soltar. É o voo sem cabimento, eu desse coração regente, regido de vento, vida,…

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Fome país – trecho

“Más que eso quiero pedir Y es que no sea todo para mí Sólo lo disfrutaré de verdad Si lo puedo compartir Quiero, quiero, claro que sí” (Quiero para Mi – Canticuénticos) (…)A direção leva para onde?Esse arrastar de sobrevivência, vivência louca falada entre o cheirar e o corpo que se dissolve, a cor suja…

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Sopa de passatempo – trecho

(…)No que existiu soprando respirei-me pássaro sem asas, que sobrevoa o mergulho ao nada e então sonha… O pássaro de sonho alcança da memória o passar do tempo que balança na colher de sopa. Assopra passatempo… Cata-vento, vulcão de um pássaro que não tem bicar para dizer o que é.E o passar do tempo a…

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Como um pássaro…

Eu não sei o que foi que escrevi no minuto atrás, antes, quando não escrevi. Escorri-me uma lágrima de emoção por ser criança, por nunca crescer, por ser sempre e ainda coberta em flores e mato estranho levantado entre telhado com ranhura de asfalto, cores que são doces nuvens desenhadas. Este estranho eu jeito, meio desenhado,…

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Honesto ou…

Teria sido honesto caminhar em silêncio, esquecida de mim em mim e de você – talvez – em você ou em outra vida qualquer. Seria honesto caminhar com silêncio sem dizer impropérios, sem vulgarizar ou maltratá-lo como se não fosse eu dele, sem preenchê-lo como perfumaria, porque os perfumes me enjoam e cheiro em mim…

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Onda…

Os cadeados estão sobre a mesa, eu não sei o que significa a manhã. Não me desfiz nem mesmo do lixo. Recolhi as migalhas rasteladas num morro. Na colher do café misturei angústia como canção, fugi de casa para suportar… as asas e as hélices, o som da letra muda, o peito inquieto quieto na…

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