Da janela vê-se a lua – trecho

  (…)Quero desconhecer o âmago de cada risco derramado sobre a folha. Não, eu quero conhecer. Quero ser o inteiro âmago desconhecido de si além de âmago de ser. Bem, talvez…Em cada instante, no risco, no contraste da forma errônea e despretensiosa da não técnica, há de existir a emoção que chora, a única única….

Continue lendo

Me quebrar. Valendo. – trecho

(…)Os ares são mais de cores suaves. A leveza funda-me, afunda – sou eu mergulho na rocha, na areia, na pedra, na nuvem, no algodão no pescoço, no gosto de boca, na doce ânsia de ter a vida nas mãos e soltar. É o voo sem cabimento, eu desse coração regente, regido de vento, vida,…

Continue lendo

Fome país – trecho

“Más que eso quiero pedir Y es que no sea todo para mí Sólo lo disfrutaré de verdad Si lo puedo compartir Quiero, quiero, claro que sí” (Quiero para Mi – Canticuénticos) (…)A direção leva para onde?Esse arrastar de sobrevivência, vivência louca falada entre o cheirar e o corpo que se dissolve, a cor suja…

Continue lendo

Sopa de passatempo – trecho

(…)No que existiu soprando respirei-me pássaro sem asas, que sobrevoa o mergulho ao nada e então sonha… O pássaro de sonho alcança da memória o passar do tempo que balança na colher de sopa. Assopra passatempo… Cata-vento, vulcão de um pássaro que não tem bicar para dizer o que é.E o passar do tempo a…

Continue lendo

Como um pássaro…

Eu não sei o que foi que escrevi no minuto atrás, antes, quando não escrevi. Escorri-me uma lágrima de emoção por ser criança, por nunca crescer, por ser sempre e ainda coberta em flores e mato estranho levantado entre telhado com ranhura de asfalto, cores que são doces nuvens desenhadas. Este estranho eu jeito, meio desenhado,…

Continue lendo

Honesto ou…

Teria sido honesto caminhar em silêncio, esquecida de mim em mim e de você – talvez – em você ou em outra vida qualquer. Seria honesto caminhar com silêncio sem dizer impropérios, sem vulgarizar ou maltratá-lo como se não fosse eu dele, sem preenchê-lo como perfumaria, porque os perfumes me enjoam e cheiro em mim…

Continue lendo

Onda…

Os cadeados estão sobre a mesa, eu não sei o que significa a manhã. Não me desfiz nem mesmo do lixo. Recolhi as migalhas rasteladas num morro. Na colher do café misturei angústia como canção, fugi de casa para suportar… as asas e as hélices, o som da letra muda, o peito inquieto quieto na…

Continue lendo

Na manhã seguinte…

Foi o desespero que me colocou no papel com uma gota com dedos agarrando a goela, a raiva de segurar o choro e a curva de dizer.Foi o choro quase chorado que me colocou no papel rangendo os dentes, estremecendo cada superfície e cada palavra errada, cada lentidão de dedos e ossos.Afogara-se na garganta cada…

Continue lendo

Desistência… – trecho

(…)“Desisto”Escrevo…Coloco-me para embalar no fundo do poço.“Desisto”, escrevo…Eu fracassei.Eu fracassei tão bem e continuo. E fracasso com tanta má desenvoltura que até fracassando eu fracasso. Fracasso pelas metades. Há resíduos, um pouco de pó e poeira que atrapalham o fracasso.Eu fracassei, engulo com liberdade. Ando só e sigo. É livre, um passo no escuro, divagar,…

Continue lendo

Bilhete…

Há dias, semanas, penso ter sonhos… Não reviro pensamentos, guardo os olhos na superfície das raízes. Não encontro, nem aceso nem dormente, sonho nenhum. Na falta não concluo nem retenho, não chego nem alcanço. Sento-me…E na linha entre um corpo sentado, o sonho e o que vem perco o que não sei. Sou a criança…

Continue lendo