O primeiro conto da manhã…

O primeiro vento da manhã janela adentro não era ensejo nem desespero, talvez desejo desperto… Desapertado no tocar do vento que foi riscando a pele, eriçando pelos. O vento gelado era manhã esquentando a boca, ressecando os dedos. Um talvez qualquer misura, fissura, vontade e toque de prega e alça, a forma esboçada, um corpo…

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Meu pai…

Quando eu era pequena meu pai inventou um jacaré nascido no ninho de um pé de erva-mate. Cantou para mim… Me falou sobre a natureza, sobre animais soltos, sobre árvores, me chamou para ver pássaros. Meu pai descascou-me laranjas – ainda descasca. Meu pai almoçava na frente da televisão, assistindo desenho animado. E nos domingos…

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Natal

Nos últimos dias escrevi páginas que não se sustentaram. Rabiscadas em folhas amarelas, ficaram por ficar. Foi entre um respiro e um suspiro de véspera que as palavras mais sinceras chegaram como um recordo. Diante de tanta frase e tanta letra torta, o que sustentou o gestar do mundo foram os minutos que estanquei no…

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[intitulável]

“(…) insistiu em tragar. Doeu fingindo o riso em cores na cara, na euforia que a cansava. Que a alcançava numa cobrança vinda em pedaço de papel somado em estreitas margens recortadas. O mundo não era seu. O portão não era seu. A sexta-feira maquiada como sempre o de sempre não era sua. O futuro…

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Nada

nome cego.estraçalhado limite.se entender perco…a compreensão.acho.me perco.Eu que não sinto saudadeSintoRecentetarde que termina cedoesfumatura de lua que lá longe…Lá longe,Esboçada em pedaços de nuvens,Guarda o mundo…Que lá longe esquece a continuidade…Eu não entendoSe entendoNão escrevo.Nunca entendonadapor isso [talvez] não fui boa aluna… do primário à faculdade (só) acumulei chaveiros…Não dizem nadaVidros vazios rotulados.No espaçoSala de aula viajavanos calçados…

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Trecho – Aulas de piano

“Dizem que sessenta segundos cabem num minuto. Tem coisas que nunca se firmam em via verdade. É sempre a primeira vez de nada e tudo. O resto resta insabido em quem é quem – quem? – nos olhos a frente, no papel molhado… Mas sobre isso não há certeza. Fica… (Fica) sem saber o que…

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Chovi…

ChoviPétalaFolhaque voae nadae some…Chovi pó,na mãodeslizou a pedra geladailusão do algodãogrão no prato,no asfalto, na contramãomãos.ChoviSem hora sem diaMorta vivaEscrevi.Chovi.Chovi sobre o guarda-chuva.Fechei o tempo e carreguei-me nuvem escura. Cada nuvem que estacou no céu espaço aqui agora. Amassei as cores num canto ângulo, grau… Montei tabuleiro céu frio e então caí…Pingos grossos, densos, profundos, fundos que…

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Terceira pessoa – eu

Não via sentido. Disfarçava, como se fosse personagem riscando dores de mundo… Como se através do beijo não dado colocasse em outra boca um dia próprio. Não havia sentido…Palavras faltavam, fugindo.Sentimentos ficavam parados pela metade, inibidos, inseguros. Não confiavam na imposição de outra pessoa.Era eu quem os amparava.Eu que os embalava chorando, chorando, chorando no colo…

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Cartas a um jovem poeta

Semanas passaram da sexta-feira em que tudo parecia agitação, evento, encontro, copo corpo agitado com taça de vinho… Eu não sei bem como foi… Eu estava no sofá mexendo em pastas. Abertas, cada uma delas arquivando um lado outro de encontro – mais, caminhada, olhos no jardim, taça de vinho… Eram livros…   Era sexta-feira na…

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