Feitura

Tudo em mim é distância.E pássaro e vento.Tudo em mim é pássaro e vento.E distância.Quase tudo em mim é…Quase tudo…DistânciaPássaroVento…Quase tudoPássaroVentoDistância.DistânciaPássaroVento…Quase tudo…07.09.2020

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Onda…

Os cadeados estão sobre a mesa, eu não sei o que significa a manhã. Não me desfiz nem mesmo do lixo. Recolhi as migalhas rasteladas num morro. Na colher do café misturei angústia como canção, fugi de casa para suportar… as asas e as hélices, o som da letra muda, o peito inquieto quieto na…

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Na manhã seguinte…

Foi o desespero que me colocou no papel com uma gota com dedos agarrando a goela, a raiva de segurar o choro e a curva de dizer.Foi o choro quase chorado que me colocou no papel rangendo os dentes, estremecendo cada superfície e cada palavra errada, cada lentidão de dedos e ossos.Afogara-se na garganta cada…

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Uma sobremesa em Dia dos Pais

No início da semana passada minha mãe ligou: “Tava pensando em fazer para o final de semana uma torta de limão com aquela base de bolacha, como será que eu poderia fazer?” – A tal base de bolacha que minha mãe faz é uma velha conhecida, é da infância, ela faz desde sempre e foi…

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Contornos de opressão – ebook

Hoje resolvi contar sobre um texto que escrevi há uns anos atrás no mestrado, como trabalho final da disciplina de Ecofeminismo. E que foi intitulado O cotidiano: uma crônica sobre a sutileza da opressão do feminino. Com o modo que só a Carol (que ministrava a disciplina) tinha de dar aula e o jeito para…

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Desistência… – trecho

(…)“Desisto”Escrevo…Coloco-me para embalar no fundo do poço.“Desisto”, escrevo…Eu fracassei.Eu fracassei tão bem e continuo. E fracasso com tanta má desenvoltura que até fracassando eu fracasso. Fracasso pelas metades. Há resíduos, um pouco de pó e poeira que atrapalham o fracasso.Eu fracassei, engulo com liberdade. Ando só e sigo. É livre, um passo no escuro, divagar,…

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Bilhete…

Há dias, semanas, penso ter sonhos… Não reviro pensamentos, guardo os olhos na superfície das raízes. Não encontro, nem aceso nem dormente, sonho nenhum. Na falta não concluo nem retenho, não chego nem alcanço. Sento-me…E na linha entre um corpo sentado, o sonho e o que vem perco o que não sei. Sou a criança…

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Segunda carta para Pedro…

A primeira vez que escrevi para você foi há cinco anos atrás. Eram palavras que se arriscavam em apresentar um mundo para um mundo que estava prestes a chegar. As minhas frases eram uma cápsula que guardava o ar respingado de um mundo in-dimensionável que se preparava enquanto aquele ser chamado Pedro também se preparava….

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