O que lembra de lembrar…

Vejo plantas e lembro de pessoas:
Com as folhas lustras e aquosas de uma planta de nome esquecido ou com o fio bamboleado do chuchu de um chuchu nascente, um amigo ficando sem cabelo. A quilômetros de distância, entre plantas e chuchus não plantados, lembrante é o jeito de rir sorrindo e os olhos ternurentos de uma alma plantada com carinho. 
Com as folhas finas, esguias, elegantes e delicadamente rosas, um irmão também quase careca, escasso de cabelo como quase escasso de conversa, que monta estruturas movendo os dedos. 
As flores exuberantes, estas sim elegantemente elegantes, inexpressivas se vistas como parasitas em troncos na cidade floresta, uma amiga que se veste sem gosto, que talvez até goste do gosto do mastigar apurado, que um dia acalmou os passos e teve gosto para se emocionar com o exuberante gosto das flores em seus estados de estar.
Nas flores amarelas, por vezes na promoção na calçada do supermercado, a  flor que cresceu nas mãos da mãe, a flor que mãe foi. Pendurada no tronco da árvore, cresceu com estações e deu cor em outras formas ao amarelo.
A flor mãe, um dia foi levada para casa para lembrar da lembrança. Morreu aos poucos na mesa da cozinha, no balcão do balcão. Depois floresceu já sem vaso, cascas ou terra. Reviveu em caminhadas destravadas, olhadas e antevistas entre as entradas de outros prédios. A flor amarela, vista no raiar dos raios de quilômetros de distância, deve estar… Deve ser um prestes a… Reflorescer de florescer. O tronco da árvore, a mãe ao pé das raízes, solos e galhos fincados pra ver se pegam, a mãe observa se são pegos pelo solo.

…Matcha também lembra pessoas...
Quem bebe no copo na França…
Quem, no Rio de Janeiro, bebe na xícara. 
Inventado, esperado foi na viagem verde do Japão e da viajada China, um pedaço de bambu e o torno da cerâmica.
Lembra um fim de tarde de quarta-feira escuro e algum lugar sem luz. Lembra, os ventos impedindo a orquestra que então atravessa a rua para deitar o tempo. De frente para a janela da espera quase não espera, prova uma xícara para dois, o que não é a primeira vez. Prova o que será alguma coisa para lembrar…
Os goles da bebida, as rugas das flores, o arco do riso das folhas, serão nuances de um quem em quando ou tanto, jamais em vão, voando, lembrando de lembrar…


Rio de Janeiro, 13.08.2026