Retrato

O que posso dizer?

Há anos invento blogs que nascem e depois de um tempo são abandonados e depois quase são ressuscitados para restarem abandonados outra vez.

Acho graça nessa brincadeira de rolar a barra e ver texto. Acho graça desde antes de eu entrar na faculdade de jornalismo, antes de trocar a veia narrativa do jornal pelo modelo petição destinada ao juiz, antes de abandonar este modelo também.

Então me rendi na minha própria veia silenciosa sem cânone nem forma que vai escrevendo e descrevendo e escrevendo.

Estou quase certa em aceitar o meu jeito torto de emendar palavras que são tantas que se acumulam em pastas no computador: crônicas, quase contos, ideias de romances, palavras rimadas e inventadas de alguém que não consegue parar de mexer os dedos sobre as teclas.

Pois é, vou arquivar também aqui um pouco do que tenho dado a fazer em páginas de word, talvez retornem meia dúzia de textos antigos, umas ideias malucas que tenho sobre o mundo, os livros que leio, os filmes que vejo, os animais e sobre o tal veganismo em que acredito, rupturas que o feminismo fez definitivamente em mim, os idiomas que tento e que quero escrever, as viagens, os lugares de que parto, os lugares que espero chegar.

Entre a luz inclinada do abajur e a atmosfera escura ao redor eu escrevo ao som de Ella Fitzgerald, eu escrevo sobre escrever.

Porque hoje parece ser um dia perfeito. Na xícara o chá arrefece.

Mas espera! Fica que a história é longa e antes de começar eu preparo um café.

Ah, mas você quer saber quem sou eu. Eu sou só alguém que escreve.