Eu pássaro

Era sono, os olhos pesavam.Era luz caindo a tardeDerrubando um domingoO dia entristecido.A tristeza fora feita com gosto.Hoje tenho saudade.E o que consola é pássaro aparecidoDesaparecidoQuando apareço na janelaEscondidaEm frente a xícara.Tudo se esvaziaarmários,árvores, raízes.Todos se esvaziam…Vozes, cascas, pedrase nomes.Tudo se esvazia,Encho-me do vazio vazioEsvazioSilêncioTotalIndício nenhum de algum qualquer alguém.SópalavraQue quero sem matériasem palavra.Esvazia-se sóa…

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Nada

nome cego.estraçalhado limite.se entender perco…a compreensão.acho.me perco.Eu que não sinto saudadeSintoRecentetarde que termina cedoesfumatura de lua que lá longe…Lá longe,Esboçada em pedaços de nuvens,Guarda o mundo…Que lá longe esquece a continuidade…Eu não entendoSe entendoNão escrevo.Nunca entendonadapor isso [talvez] não fui boa aluna… do primário à faculdade (só) acumulei chaveiros…Não dizem nadaVidros vazios rotulados.No espaçoSala de aula viajavanos calçados…

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Terceira pessoa – eu

Não via sentido. Disfarçava, como se fosse personagem riscando dores de mundo… Como se através do beijo não dado colocasse em outra boca um dia próprio. Não havia sentido…Palavras faltavam, fugindo.Sentimentos ficavam parados pela metade, inibidos, inseguros. Não confiavam na imposição de outra pessoa.Era eu quem os amparava.Eu que os embalava chorando, chorando, chorando no colo…

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Excessos (parte)

Sylvia nunca me esperou. Vitor não soube meu nome. As esquinas não sabem onde estou. Meu estômago roncava querendo botar pra fora a tempestade tropical, os calos na garganta eram silêncios apertados. Eu queria desaguar nos olhos Eu estava seca queimada como floresta esquecida… Esquecida e abandonada nos corpos vivos queimados até a raiz. Queria…

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Era quase…

Em qual hoje fechar os olhos?Quando desmorona o mundo sentido no buraco da alma.Tudo tudo desmoronando agora.Passou.Vira pó e nada, nada sai do lugar…E onde meter a frase seguinte? Nova linha, ponto, seguir em frente, parágrafo…Onde descansa a linha do infinito? Beijo na nuca, meu corpo ausente, a boca do lobo. Ausente.Isolada ilha, confins da história…O…

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Carol

Não me digamNão me falemNão falem sobre mimNão lembreNem recordem de mimDeixem tudo issoDe tudo issoAo fim.HojeHojeHojeNão quero nadaVoglio nienteNem escrever não queroNão quero nadaNão quero ouvir sobre a vida e o fim…Hoje não quero acreditar em nada que dizem.Escrevi para você enquanto tomava banho.Foi desligar o chuveiro, abrir a porta e a nossa carta…

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Tudo que corre, corre…

Uma única lágrima que corre.Corre.Morreu na boca.Alimentou um suspiro seco de ar.Horizontal.Vertical.Esse todo vago que corre quando alguém grita que “tudo corre”.E tudo corre numa tal e precisa perfeição não sinfônica. Desafinada. Alinhada nas cordas de um violino cansado no ombro.Pedras, bolinhas de gude sozinhas que correm, equilibradas umas nas outras. Pedras e bolinhas de…

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Julgamento (parte)

Vou morrer de fome, dormir na sarjeta quando ochá terminar na ponta dos dedos.Vou beijar uma garotae esperar que o cão me lamba.Vou escrever nos murose aos murros,Cantar no banhoDançar no escuroNa calçada e com fones de ouvido.Vou ser julgada,Abandonada.Vou ser abandonada e rir nas águas do lago…Lados de idiomas que me interessam,Lugares onde me insinuo…

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