Pipoca doce…

Sábado comi pipoca, sexta-feira também. Fiz pipoca de jantar, talvez amanhã outra vez… Como pipoca olhando pela janela, escutando a fissura na pele como um teque-teque de letras saltitantes. Várias vezes na semana, não é raro, pipoca como janta. A panela é pequena para a quantidade de grãos que pulam contra o guardanapo preso fechado…

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Tempos difíceis…

Calejada de momentos difíceis, pedras coitadas que pregam a sola do pé… ranhuras marcando a pele, mancando os passos que eram (des)andados enquanto ali o invisível temor ainda não alcançara.Calejada… calejada de momentos difíceis, do que foi sendo tomado, tirado, levado, carregado, recolhido, roubado (?) – talvez porque fosse preciso. Até a possibilidade de trabalho…

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Andrà tutto bene…

Saí…Era preciso…Era o que fora determinado como necessidade…Cada passo dado era a direção de um lugar redesenhado em medida de emergência. A precisão das coisas postas mostrava como tudo estava fora do lugar.Estendido estava o silêncio sobre todos, como um lençol recém lavado tirado do varal. Os pássaros sentiam-se mais perto, suas vozes mais altas….

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Quem pode que seja afeto…

Na manhã a cidade sentia, comentavam os negócios fechados que a última vez que foram vestidos assim fora durante a segunda guerra, a última vez que as ruas ficaram assim foi na guerra… Nos tiros e alvos da segunda guerra…A mudança das ruas e das calçadas verteram-me uma lágrima, única. Meu caminhar definido no ir…

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O vírus do isolamento…

Acumulo o barulho da noite, barulho não há…O silêncio quase descansado adormece.Tudo está cansado,Há uma exaustão fatigada que espera que o tempo passe,ultrapasse o cinza do dia.O silêncio solitário da manhã.São noites de lua cheia.Pétalas de borboletas.Vontade de dormir no vento. Como as nuvens que ergueram os braços no último dia em que abrir o…

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Meu pai…

Quando eu era pequena meu pai inventou um jacaré nascido no ninho de um pé de erva-mate. Cantou para mim… Me falou sobre a natureza, sobre animais soltos, sobre árvores, me chamou para ver pássaros. Meu pai descascou-me laranjas – ainda descasca. Meu pai almoçava na frente da televisão, assistindo desenho animado. E nos domingos…

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Natal

Nos últimos dias escrevi páginas que não se sustentaram. Rabiscadas em folhas amarelas, ficaram por ficar. Foi entre um respiro e um suspiro de véspera que as palavras mais sinceras chegaram como um recordo. Diante de tanta frase e tanta letra torta, o que sustentou o gestar do mundo foram os minutos que estanquei no…

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Cartas a um jovem poeta

Semanas passaram da sexta-feira em que tudo parecia agitação, evento, encontro, copo corpo agitado com taça de vinho… Eu não sei bem como foi… Eu estava no sofá mexendo em pastas. Abertas, cada uma delas arquivando um lado outro de encontro – mais, caminhada, olhos no jardim, taça de vinho… Eram livros…   Era sexta-feira na…

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Se eu chorar…

Se eu chorar você me acolhe? Se eu chorar agora você se encolhe em mim enquanto me acolhe? Se eu chorar agora quando o mundo me engole você me acolhe? Você me engole se eu chorar encolhida nas voltas do frio da fresta da porta do jardim da outra parte do outro lado do muro…

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